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Colaboração para divulgar dados da guerra no Afeganistão

Cerca de 90 mil documentos secretos disponibilizados pelo site WikiLeaks sobre a atuação norte-americana no Afeganistão revelam dados diferentes dos oficiais já divulgados.

O WikiLeaks disponibilizou os dados com antecedência para três veículos de imprensa: o inglês The Guardian, o The New York Times (EUA) e a revista alemã Der Spiegel. A ideia é que eles tivessem tempo hábil de trabalhar em cima de imensas tabelas que continham todas estas informações.

Trata-se de um ótimo exemplo de união entre organizações que possuem dados de interesse público com a habilidade de veículos de imprensa para oferecer estas informações à sociedade interessada.

O tema rendeu abordagens bastante aprofundadas por parte dos três veículos. Acredito que as três se complementam. Cada uma atende a um perfil de usuário. Tiago Dória, ao comentar em seu site o assunto, classificou a versão do The Guardian como a mais bem sucedida. Do ponto de vista do uso de bases de dados é a mais bacana mesmo. Eles usaram um mapa da região no qual é possível observar dia-a-dia quantas mortes sofreram as tropas de coalisão, as afegãs, civis e outras. É bastante útil para quem deseja uma análise mais exata, pois permite que se escolha, por exemplo, uma determinada data para saber quantos mortos teve apenas um dos segmentos analisados. Eles também contam aqui como a equipe trabalhou para este projeto.

Já a versão alemã da história, com seus infográficos, dá um panorama mais geral, com números totais, mais objetiva. O The New York Times, por sua vez, optou por ser mais tradicional, com um texto que ajuda na contextualização dos fatos.

Interessante também obsevar o espírito colaborativo desta pauta. Além do fato de o Wikileaks ter oferecido as planilhas aos veículos, cada um deles, em algum momento, cita os outros dois.

Confira a versão de cada um:

Der Spiegel

The Guardian

The New York Times

O WikiLeaks se dedica a publicar dados de interesse público protegendo as fontes que o abastecem. Veja mais aqui.

Criatividade solta nos especiais da Copa

Eu não entendo de futebol. Mas sei como este esporte desperta paixão e envolve as pessoas. Convivo com vários apaixonados por futebol. Por isso, nem de longe quero dar a entender que se informar sobre a Copa do Mundo por qualquer um dos materiais abaixo é mais interessante ou emocionante do que acompanhar as partidas. Esclarecida esta questão, veja abaixo exemplos de especiais sobre a Copa do Mundo que se utilizam da visualização de dados de uma forma bem bacana.

Começando pelo espanhol Marca. A imagem abaixo é do calendário dos jogos. Mas vale acessar o site para ver o especial feito para a Copa com muitos conteúdos multimídia shows de bola.

O The New York Times está acompanhando as partidas com análise em tempo real e gráficos cheios de dados. Dá para ver os passes minuto a minuto, as áreas do campo em que a bola mais esteve, a quantidade de toques de cada jogador, entre outros. Deixo a opinião para quem realmente entende de futebol. Mas me parece que o material serve mais para uma análise pós-jogo do que algo para ser acompanhado durante a partida.

Há alguns dias o Estadão está com um infográfico interativo que indica onde jogam os atletas de cada uma das seleções. E não se contenta apenas com os dados desta edição da disputa. É possível comparar com as quatro copas anteriores. Eu, particularmente, não gostei muito da navegabilidade. Mas é riquíssimo em informações e muito bonito visualmente.

O El Mundo está com muitos materiais legais na sua seção multimídia sobre a Copa. No meu entendimento, nenhum deles é infografia em base de dados, mas valem muito a pena.

Conhece mais alguma peça legal sobre a Copa? Avisa aí!

Desperdiçando dados

Não podemos nos maravilhar com as diversas possibilidades tecnológicas que temos hoje e esquecer da nossa habilidade de contar histórias. Esta foi a reflexão que ficou na minha cabeça após ouvir Alberto Cairo no painel “A evolução da narrativa jornalística na Web” no 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online, o Sijol. O evento, que também pautou meu post anterior, ocorreu neste sábado, 29 de maio, na Cásper Líbero, em São Paulo. Cairo é editor de multimídia e infografia da Editora Globo.

Um dos exemplos apresentados por Cairo que deu força ao ponto de vista que abre este post foi justamente a primeira peça de visualização de dados com a qual tive contato. Trata-se do gráfico do The New York Times abaixo. Ele apreenta excelentes dados da bilheteria do cinema norte-americano.

 

As marés altas e baixas dos filmes que entraram em cartaz nos EUA podem ser acompanhadas em uma linha do tempo que vai de 1986 a 2008. Clicando nos filmes, abre-se um breve resumo. Entretanto, nem todos têm este recurso disponível. Também dá para fazer buscas pelos nomes dos filmes.

Certamente este gráfico é riquíssimo se for analisada a quantidade de dados que contempla. Oferece ao usuário a possibilidade de consultar informações sobre filmes de diferentes épocas acessando a apenas uma página. Acontece que, como bem colocou Cairo durante o painel no Sijol, é pouco explicativo. No meu ponto de vista, a navegação é complicada, confusa demais. Um desperdício de tecnologia e de dados tão valiosos para uma navegação difícil. Imagino que só segura os internautas que estejam realmente muito interessados no assunto ou que precisem demais de algum dado que está ali.

Sijol debate a visualização de dados

Até o momento meu entendimento sobre visualização de dados é limitado apenas a algumas ferramentas que venho conhecendo, e muitas delas mostrando aqui. Assistir ao primeiro painel do I Seminário Internacional de Jornalismo Online (Sijol), promovido na Cásper Líbero, em São Paulo, me deu outra dimensão sobre o assunto. O evento foi transmitido ao vivo pelo Portal Terra, com excelente qualidade, diga-se de passagem.

O painel “A notícia a partir de bases de dados que permitem ao leitor interagir com grandes volumes de informação” começou com apresentação de Andrei Scheinkman, programador de aplicativos jornalísticos do New York Times. Ele mostrou alguns exemplos de produtos que o site do jornal oferece.

Pedro Valente, jornalista e programador, responsável pelo Yahoo Open Hack Day, mostrou que se os dados não são fáceis de serem acessados nos sites das organizações responsáveis por eles, ou se esta visualização não é prazerosa, hackers podem ajudar desenvolvendo peças que mudam esta percepção. E que, no momento em que os dados apresentados são de interesse público, isso tem tudo a ver com jornalismo. Independentemente de ser um jornalista quem faz isso. Você pode baixar a apresentação dele aqui.

Da apresentação de Rubens Almeida, diretor de integração e especialista em bases de dados e georeferenciamento do iG, destaque para o fato de o Brasil não ter tradição em desenvolver bases de dados. Ponto de vista reforçado pela mediadora deste painel, Tereza Rangel, diretora de planejamento do UOL, durante o tempo dedicado a perguntas da plateia. As organizações no Brasil não oferecem tantos dados quanto poderiam, além de não apresentá-los de forma interessante e de fácil acesso. Para Almeida, o grande desafio é fazer intefaces que tornem a consulta a dados prazerosa.

A última apresentação deste painel ficou por conta do meu orientador de TCC, o professor Walter Lima, da Cásper Líbero, um dos organizadores do evento, inclusive. Ele falou sobre relevância. Para ele, a relevância está sendo vista de outra forma com a utilização da internet porque a topologia de rede é altamente descentralizada, com baixa hierarquia. Para muitas pessoas, a relevência é determinada pelo Google. Assim como o Google, outros sistemas dizem para aos usuários o que é importante ou mais relevante. Muitos creem que se algo não está nos primeiros resultados de uma busca, não é importante.

O Sijol foi organizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin (EUA), Grupo de Pesquisa Tecnologia, Comunicação e Cultura de Rede  do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero e pela ONA-Brasil.

Rosental, do Centro Knight, avisa que verá com a Cásper Líbero a possibilidade de disponibilizar o arquivo com todo o evento para acesso posterior, o que seria ótimo!

Mapa do vazamento de óleo

Esta semana vi tweet do NYTgraphics com link para o mapa interativo do The New York Times que mostra a forma como se espalha a mancha de óleo no Golfo do México. O material apresenta a evolução do problema desde a data em que iniciou, 22 de abril. Frases curtas resumem a situação diária. Para aprofundar o assunto, ao final, textos mais completos explicam o problema e suas prováveis consequências.

Para quem se interessa em conhecer mais o trabalho do The New York Times neste sentido, vale dar uma olhada neste artigo, intitulado “The Journalist as Programmer: A Case Study of The New York Times Interactive News Technology Department”. É de autoria de Cindy Royal, da Universidade do Texas, e foi apresentado no Simpósio Internacional de Jornalismo Online, promovido em abril pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

A propósito, a primeira edição da versão brasileira deste evento ocorre neste sábado, 29 de maio, em São Paulo, E o Portal Terra transmitirá tudo ao vivo. Confira mais informações sobre o evento e link para assisti-lo via webcasting.

Eu devo passar a colocar vários exemplos de gráficos do The New York Times por aqui. É o jornal que acompanho o trabalho que mais utiliza gráficos interativos e com base de dados. Bem provável que seja o meu objeto de análise de caso do Trabalho de Conclusão de Curso.

Mapa das medalhas olímpicas

Exemplo velhinho este, mas vale mostrar. É do The New York Times. Mapa das medalhas olímpicas desde a olimpíada de 1896, considerada a primeira da Era Moderna, até a de 2008. Países com mais medalhas representados em círculos maiores. É possível visualizar pela distribuição geográfica dos países ou pelo ranking.

Conhecendo ferramentas para visualização de dados

Identidade visual do Many Eyes

Quando o professor Walter Lima, da Cásper Líbero, meu orientador de TCC, me falou de visualização de dados na internet, preciso confessar que não sabia bem do que se tratava.

Ele me indicou dois sites para início de conversa: o Many Eyes, da IBM, e o Visualization Lab, também desenvolvido pela IBM, mas exclusivamente para o jornal The New York Times (NYT).

No Many Eyes qualquer usuário pode gerar gratuitamente uma peça para visualizar os dados que quiser. Há diversos formatos disponíveis. Mas atenção: não coloque ali nada confidencial, pois os seus dados poderão ser usados pela IBM da forma que eles quiserem, como explica o “Terms of use” do site, e serem acessados por qualquer usuário.

Este vídeo de novembro de 2009, de uma apresentação da pesquisadora Fernanda Viégas, que trabalhou com este projeto na IBM, explica muito bem o funcionamento do Many Eyes. Vale a pena assistir. Ela faz uma explicação bastante didática e divertida, citando exemplos com dados da realidade brasileira.

Quanto ao Visualization Lab, hospedado no site do NYT, segue quase a mesma lógica. Mas hoje, acompanhando-o com mais frequência, percebo que ele vem sendo pouco usado. Uma prova disso é que tentei acessá-lo pela página inicial do site e não o encontrei.

A imagem abaixo é de um gráfico gerado no Visualization Lab que compara a quantidade de adeptos de várias religiões nos EUA.

Tenho algumas ressalvas em relação a estas duas ferramentas. Quando acesso os gráficos, sinto falta de uma melhor contextualização dos temas ali tratados. Mas talvez seja mais uma “falha” daqueles que inserem os conteúdos que da ferramenta propriamente dita. Talvez muitas das pessoas que inserem gráficos ali não estejam fazendo isso com o objetivo de esclarecer determinado assunto, nem pensem que suas peças podem estar sendo acessadas por usuários de qualquer local do mundo. Provavelmente elas estejam apenas utilizando as ferramentas para gerar visualizações para uso próprio.