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Infografia e visualização de dados

Em um dos posts anteriores questionei sobre as diferenças entre infografia e visualização de informação (ou de dados, como costumo tratar – veja mais abaixo). No artigo Visualização de dados estruturada por banco de dados digitais sintoniza o Jornalismo com a complexidade informativa contemporânea, assinado por mim e pelo professor Walter Lima, que o apresentará no Intercom (2 a 6 de setembro, em Caxias do Sul), tratamos  desta diferença.

Consideramos que a infografia traz consigo uma narrativa, ou, no caso das infografias disponíveis na internet, várias opções de narrativas a serem seguidas pelos usuários. Por outro lado, a visualização de dados é uma ferramenta para apresentação e exploração dos dados, sem determinar um ou mais caminhos por onde se navegar.

O site Eager Eyes também tratou recentemente deste assunto. E trata da infografia como uma peça feita especificamente para tratar de um tema, que exige um contexto. Já a visualização de dados, de acordo com este artigo, é livre de contexto, é mais geral.

Conceitos, conceitos…
Reconheço que definições são importantes, óbvio. Mas, convenhamos que às vezes a gente perde um tempão procurando mil referências para conseguir identificar com qual concordamos. É ou não é? Bem, duas nomenclaturas que às vezes também confundem são visualização de dados e de informação. Lendo a dissertação de mestrado de Daniel Melo Ribeiro, Visualização de dados na internet, encontrei alguns esclarecimentos que ajudam nesta definição.

Ele recorre aos conceitos de alguns autores, entre eles Shedroff, para definir dado, informação e conhecimento. Este defende que o vasto conteúdo disponível não pode ser considerado como informação, pois são meros dados. A informação se dá quando os dados são organizados de forma lógica, contextualizada. Por fim, nas palavras de Daniel, “o conhecimento é a compreensão obtida pela experiência, e pode ser comunicado pela construção de interações entre indivíduos, sendo, portanto, fundamentalmente participativo”.

A partir destes conceitos, visualização de dados parece mais de acordo com o que venho estudando. É na análise e manipulação de dados apresentados que os usuários podem assimiliar informações.

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Por que os sites de notícias usam poucos infográficos?

A principal motivação do meu TCC é saber no que mais o jornalismo on-line pode se aprimorar. É por isso que estudo infográficos e visualização de dados. Dizem por aí (hehe) que são tendências para os sites de notícias. E a pergunta que não me sai da cabeça é por que estes recursos ainda são tão pouco utilizados, mesmo no exterior. Me ajuda a pensar sobre isso respondendo a esta enquete?

Agradecimento: ao meu amigo Piero Barcellos, meu consultor digital desde os tempos de graduação, que tirou minhas dúvidas para fazer a primeira enquete deste blog. Obrigada, meu querido!

Cem infográficos tops

Este post é apenas para indicar um post muito bacana do site Freelancer Review, especializado em design. Como em tempos de internet tudo se indica, fiquei conhecendo ele por sugestão da Melissa, da agência de comunicação digital Aldeia.

O post apresenta cem infográficos muito bacanas. Legal ver alguns exemplos brasileiros, como da Revista Superinteressante – esse aí em cima. O único porém do post é que ele não traz os links de cada uma das peças ou dos sites que as produziram.

Chega de papo. Acesse e veja que bacana.

Mapa das medalhas olímpicas

Exemplo velhinho este, mas vale mostrar. É do The New York Times. Mapa das medalhas olímpicas desde a olimpíada de 1896, considerada a primeira da Era Moderna, até a de 2008. Países com mais medalhas representados em círculos maiores. É possível visualizar pela distribuição geográfica dos países ou pelo ranking.

Mapa interativo para “ver” os índices de homicídios

O exemplo de visualização de dados deste post é brasileiro. Faço buscas em sites jornalísticos de fora para tentar descobrir formas diferentes de visualização das notícias. Mas sempre gosto de ter exemplos que sejam o mais próximo possível da minha realidade. Gostaria de achar um bom caso tupiniquim para servir de análise no meu TCC, inclusive. Ainda não encontrei…

Buenas, o “Mapa da violência no Brasil 2010 – Anatomia dos homicídios no Brasil” é uma publicação do Instituto Sangari que faz um mapeamento dos homicídios no País. Aqui é possível fazer download da versão completa da publicação. Encontrei este estudo através do site do Estadão, que colocou no ar em março o mapa interativo que abre este post, e que deixa a consulta a estes dados bem mais interessante. Vasculhei o site do Instituto Sangari para conferir se a produção não era deles também. Como não encontrei no site, deduzo que seja criação do Estadão mesmo.

O mapa colorido se refere apenas à quantidade de homicídios em jovens entre 15 e 24 anos, faixa etária em que os números são maiores. O estudo fez o mesmo levantamento de outras idades também. Observe como o mapa muda de acordo com as cores selecionadas na lista ao lado dele. Também é possível pesquisar pelo nome das cidades e conferir a taxa de homicídios entre mais idades apuradas pelo estudo.

Jornalismo + visualização de dados: como assim?

O jornalismo ganha muito quando utiliza recursos visuais para apresentar os dados de suas matérias de forma interessante e interativa. O conteúdo jornalístico é cheio de números, estatísticas, comparativos. Imagine se eles fossem sempre apresentados em simples tabelas, ou apenas como os tradicionais gráficos de Excel?

Infográficos facilitam e agilizam o entendimento do leitor a respeito dos conteúdos. E afinal, não é este um dos compromissos dos jornalistas com o público? Transmitir as informações de uma forma que todos possam entender?

A imagem abaixo é de um infográfico da Época Negócios Online que compara a estrutura da África do Sul e do Brasil para a Copa do Mundo de Futebol. Cada conjunto de imagens representa um setor, e ao posicionar o ícone do mouse em cima de algum deles, os quadrinhos mostram o que cada país está fazendo a respeito. Uma maneira bem mais rápida e divertida de se obter as informações, não?

Entretanto, este exemplo mostra apenas a transposição de um modelo já existente na mídia impressa. A principal diferença é que ao invés de ver todas as informações (os quadrinhos) ao mesmo tempo, você seleciona o que quer analisar de cada vez. Mesmo assim estes recursos são cada vez mais necessários para facilitar a obtenção de dados.

O que quero pesquisar são os sites que se utilizam de bases de dados para gerar melhores formas de visualização destas informações. Afinal, as notícias publicadas pelos sites de notícias me parecem ótimas fontes para abastecer um banco de dados, afinal, são cheias de números e estatísticas. Parece-me que basta adotar sistemas que organizem estes dados e os transponham para uma ferramenta de visualização.

Abaixo, cito um exemplo bem simples, nada muito refinado esteticamente, mas que para mim é uma demonstração clara desta oportunidade.

O “Mapa das mortes no trânsito 2010”, do site zerohora.com, ligado a um dos principais jornais do Rio Grande do Sul, apresenta uma imagem do mapa gaúcho com marcas em vermelho sinalizando as cidades que tiveram neste ano vítimas fatais em acidentes de trânsito.

Ao clicar nas bolinhas vermelhas, aparece abaixo o nome da cidade, a data, o nome da vítima e uma breve explicação de como foi o acidente. Clicando em “Leia mais”, o usuário é direcionado para a notícia de zerohora.com que divulgou, na época do acidente, o ocorrido. Sendo assim, de onde vêm os dados que zerohora.com utiliza? De seu próprio conteúdo! Como diz o velho ditado: é como estar com a faca e o queijo na mão!

A saber: o mapa pega carona com o tema de uma campanha de responsabilidade social desenvolvida pelo grupo há algum tempo, “Violência no trânsito: isso tem que ter fim”.