Um baita vídeo sobre visualização de dados

Pegando carona na indicação de Marcos Palacios, fica aqui a recomendação para todos aqueles que se interessam por visualização de dados a assistirem o vídeo Journalism in the age of data. É um material super bacana com depoimentos de diversos profissionais, na maioria do mercado norte-americano, abordando diferentes aspectos da visualização de dados, como, por exemplo, uma nova era de infográficos e ferramentas para criação de peças de visualização de dados. Vale muito a pena. A parte ruim, para quem está atrasado no inglês, é que não tem legendas. A propósito, se alguém souber de uma versão legendada, avisa aí!

Obs.: tomei a liberdade, por licença poetica, de usar no título a expressão baita, que, para quem não é do Rio Grande do Sul e não conhece, pode ser entendida como uma interjeição de aprovação :-)

Artigo no Intercom

No início de setembro, no Intercom, que este ano foi realizado em Caxias do Sul, o professor Walter Lima e eu apresentamos artigo de nossa autoria chamado “Visualização de dados estruturada por banco de dados digitais sintoniza o jornalismo com a complexidade informativa contemporânea”. Foi um bom exercício para estruturar ideias que serão trabalhadas também no meu Trabalho de Conclusão de Curso da pós-graduação em Comunicação Digital pela Feevale/RS. Confere aqui como ficou!

Um esclarecimento

Não foi à toa que demorei tanto tempo para colocar um blog no ar. Acho tão sem graça quando as pessoas dão início a um projeto e acabam o deixando de lado. Acabou acontecendo comigo, mas não deu para evitar. Em meio ao TCC, me mudei do Rio Grande do Sul para São Paulo, por motivos profissionais. Vida mais corrida, ainda estava sem internet e aqui ficou o Notícias Visuais, abandonado. Assim que der coloco mais novidades no ar.

Infografia e visualização de dados

Em um dos posts anteriores questionei sobre as diferenças entre infografia e visualização de informação (ou de dados, como costumo tratar – veja mais abaixo). No artigo Visualização de dados estruturada por banco de dados digitais sintoniza o Jornalismo com a complexidade informativa contemporânea, assinado por mim e pelo professor Walter Lima, que o apresentará no Intercom (2 a 6 de setembro, em Caxias do Sul), tratamos  desta diferença.

Consideramos que a infografia traz consigo uma narrativa, ou, no caso das infografias disponíveis na internet, várias opções de narrativas a serem seguidas pelos usuários. Por outro lado, a visualização de dados é uma ferramenta para apresentação e exploração dos dados, sem determinar um ou mais caminhos por onde se navegar.

O site Eager Eyes também tratou recentemente deste assunto. E trata da infografia como uma peça feita especificamente para tratar de um tema, que exige um contexto. Já a visualização de dados, de acordo com este artigo, é livre de contexto, é mais geral.

Conceitos, conceitos…
Reconheço que definições são importantes, óbvio. Mas, convenhamos que às vezes a gente perde um tempão procurando mil referências para conseguir identificar com qual concordamos. É ou não é? Bem, duas nomenclaturas que às vezes também confundem são visualização de dados e de informação. Lendo a dissertação de mestrado de Daniel Melo Ribeiro, Visualização de dados na internet, encontrei alguns esclarecimentos que ajudam nesta definição.

Ele recorre aos conceitos de alguns autores, entre eles Shedroff, para definir dado, informação e conhecimento. Este defende que o vasto conteúdo disponível não pode ser considerado como informação, pois são meros dados. A informação se dá quando os dados são organizados de forma lógica, contextualizada. Por fim, nas palavras de Daniel, “o conhecimento é a compreensão obtida pela experiência, e pode ser comunicado pela construção de interações entre indivíduos, sendo, portanto, fundamentalmente participativo”.

A partir destes conceitos, visualização de dados parece mais de acordo com o que venho estudando. É na análise e manipulação de dados apresentados que os usuários podem assimiliar informações.

Colaboração para divulgar dados da guerra no Afeganistão

Cerca de 90 mil documentos secretos disponibilizados pelo site WikiLeaks sobre a atuação norte-americana no Afeganistão revelam dados diferentes dos oficiais já divulgados.

O WikiLeaks disponibilizou os dados com antecedência para três veículos de imprensa: o inglês The Guardian, o The New York Times (EUA) e a revista alemã Der Spiegel. A ideia é que eles tivessem tempo hábil de trabalhar em cima de imensas tabelas que continham todas estas informações.

Trata-se de um ótimo exemplo de união entre organizações que possuem dados de interesse público com a habilidade de veículos de imprensa para oferecer estas informações à sociedade interessada.

O tema rendeu abordagens bastante aprofundadas por parte dos três veículos. Acredito que as três se complementam. Cada uma atende a um perfil de usuário. Tiago Dória, ao comentar em seu site o assunto, classificou a versão do The Guardian como a mais bem sucedida. Do ponto de vista do uso de bases de dados é a mais bacana mesmo. Eles usaram um mapa da região no qual é possível observar dia-a-dia quantas mortes sofreram as tropas de coalisão, as afegãs, civis e outras. É bastante útil para quem deseja uma análise mais exata, pois permite que se escolha, por exemplo, uma determinada data para saber quantos mortos teve apenas um dos segmentos analisados. Eles também contam aqui como a equipe trabalhou para este projeto.

Já a versão alemã da história, com seus infográficos, dá um panorama mais geral, com números totais, mais objetiva. O The New York Times, por sua vez, optou por ser mais tradicional, com um texto que ajuda na contextualização dos fatos.

Interessante também obsevar o espírito colaborativo desta pauta. Além do fato de o Wikileaks ter oferecido as planilhas aos veículos, cada um deles, em algum momento, cita os outros dois.

Confira a versão de cada um:

Der Spiegel

The Guardian

The New York Times

O WikiLeaks se dedica a publicar dados de interesse público protegendo as fontes que o abastecem. Veja mais aqui.

Para pesquisar o Brasil nas copas

Que tal consultar os resultados das partidas do Brasil nesta e nas edições anteriores da Copa do Mundo de Futebol? Quais os placares das partidas? Quais as escalações da seleção brasileira e de suas adversárias? Quem fez os gols? E ainda, a capa do jornal Estadão após cada partida. Vê lá:

A criação é de Carlos Lemos e Daniel Lima.

Infografia ou visualização de informação?

Eu andava confusa em relação às minhas leituras para entender melhor o meu tema e começar a escrever. Lá estava eu direcionando todas as minhas leituras para infografia e infografia em base de dados. Até que o meu orientador, Walter Lima, me chamou a atenção: meu tema é visualização de dados. Eu sabia disso no início, e me parece que eu entendia melhor a diferença, meio que por osmose mesmo. Onde foi que me perdi? Enfim…

Ou seja: estamos falando de apresentar ao usuário formas de se navegar em uma base de dados com grande volume de informações de uma forma clara e amigável. Ele bem que me avisou das poucas leituras em português sobre o tema. E uma das indicações obrigatórias de bibliografia, em inglês, que eu vinha adiando há tempos, tornou-se hoje meu livro de cabeceira. Acompanhado de um dicionário, óbvio. Trata-se de uma tese apresentada em 2008 por Michael Danziger para o Massachusetts Institute of Technology. O título é “Information visualization for the people”.

Minha leitura só começou, mas o autor já diferenciou bem o que é uma coisa e o que é outra. Ele usa o termo information visualization, que seria visualização da informação, mas que eu venho chamando de visualização de dados. Veja as diferenças em uma livre e modesta tradução minha:

Infográficos normalmente mostram as informações em suportes visualmente estáticos, como gráficos, tabelas, diagramas, etc.

Visualização de informação se refere ao uso de sistemas interativos para visualizar informação, focando em representações dinâmicas para exploração de grandes conjuntos de dados.

Pelo que o autor apresenta do trabalho, e pelo próprio título, dá para ver que ele abordará bastante a necessidade de a visualização de dados voltar-se cada vez mais ao “usuário comum”, e não apenas a atender públicos da área científica.

Criatividade solta nos especiais da Copa

Eu não entendo de futebol. Mas sei como este esporte desperta paixão e envolve as pessoas. Convivo com vários apaixonados por futebol. Por isso, nem de longe quero dar a entender que se informar sobre a Copa do Mundo por qualquer um dos materiais abaixo é mais interessante ou emocionante do que acompanhar as partidas. Esclarecida esta questão, veja abaixo exemplos de especiais sobre a Copa do Mundo que se utilizam da visualização de dados de uma forma bem bacana.

Começando pelo espanhol Marca. A imagem abaixo é do calendário dos jogos. Mas vale acessar o site para ver o especial feito para a Copa com muitos conteúdos multimídia shows de bola.

O The New York Times está acompanhando as partidas com análise em tempo real e gráficos cheios de dados. Dá para ver os passes minuto a minuto, as áreas do campo em que a bola mais esteve, a quantidade de toques de cada jogador, entre outros. Deixo a opinião para quem realmente entende de futebol. Mas me parece que o material serve mais para uma análise pós-jogo do que algo para ser acompanhado durante a partida.

Há alguns dias o Estadão está com um infográfico interativo que indica onde jogam os atletas de cada uma das seleções. E não se contenta apenas com os dados desta edição da disputa. É possível comparar com as quatro copas anteriores. Eu, particularmente, não gostei muito da navegabilidade. Mas é riquíssimo em informações e muito bonito visualmente.

O El Mundo está com muitos materiais legais na sua seção multimídia sobre a Copa. No meu entendimento, nenhum deles é infografia em base de dados, mas valem muito a pena.

Conhece mais alguma peça legal sobre a Copa? Avisa aí!

Pensando a evolução do jornalismo visual

Há dias sem post novo. Motivo? Resgatando algumas leituras antigas que possam me ajudar na construção de um capítulo do TCC que trate do jornalismo visual. Como foi (e está sendo) a evolução da imagem aliada ao jornalismo? Rodeados de imagens como vivemos, é difícil imaginar como era a leitura dos jornais logo que estes sugiram. Amontoados de blocos de texto com pouco respiro e sem imagens. E que tal pensar o impacto que causaram o uso das ilustrações, da fotografia, a mudança de preto e branco para colorido, as charges, os infográficos, etc, etc… A imagem abaixo, retirada do blog Jornalismo Universitário, dá uma ideia de algumas destas etapas.

Fora os jornais, como os outros meios que se utilizam de recursos visuais, como revistas, TV e internet,  mudaram a forma de consumir notícia?

O quanto foi necessário mudar e experimentar para chegar à variedade que temos hoje?

Well, quando esta parte estiver mais avançada, deixarei aqui alguns comentários. Por enquanto, ficam as reflexões.

Desperdiçando dados

Não podemos nos maravilhar com as diversas possibilidades tecnológicas que temos hoje e esquecer da nossa habilidade de contar histórias. Esta foi a reflexão que ficou na minha cabeça após ouvir Alberto Cairo no painel “A evolução da narrativa jornalística na Web” no 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online, o Sijol. O evento, que também pautou meu post anterior, ocorreu neste sábado, 29 de maio, na Cásper Líbero, em São Paulo. Cairo é editor de multimídia e infografia da Editora Globo.

Um dos exemplos apresentados por Cairo que deu força ao ponto de vista que abre este post foi justamente a primeira peça de visualização de dados com a qual tive contato. Trata-se do gráfico do The New York Times abaixo. Ele apreenta excelentes dados da bilheteria do cinema norte-americano.

 

As marés altas e baixas dos filmes que entraram em cartaz nos EUA podem ser acompanhadas em uma linha do tempo que vai de 1986 a 2008. Clicando nos filmes, abre-se um breve resumo. Entretanto, nem todos têm este recurso disponível. Também dá para fazer buscas pelos nomes dos filmes.

Certamente este gráfico é riquíssimo se for analisada a quantidade de dados que contempla. Oferece ao usuário a possibilidade de consultar informações sobre filmes de diferentes épocas acessando a apenas uma página. Acontece que, como bem colocou Cairo durante o painel no Sijol, é pouco explicativo. No meu ponto de vista, a navegação é complicada, confusa demais. Um desperdício de tecnologia e de dados tão valiosos para uma navegação difícil. Imagino que só segura os internautas que estejam realmente muito interessados no assunto ou que precisem demais de algum dado que está ali.

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